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Assange pede a Obama o fim da “caça às bruxas”

Da varanda da embaixada do Equador em Londres, onde se refugiou, fundador defendendo seu site por “lançar luz sobre os segredos dos poderosos”

Dezenas de simpatizantes do WikiLeaks assistiam e aplaudiam do lado de fora à primeira aparição pública de Julian Assange, fundador do site Wikileaks, desde junho, quando ele se refugiou na Embaixada do Equador em Londres, na tentativa de escapar de um pedido de extradição à Suécia, onde é acusado por duas mulheres de abuso sexual.

Falando de uma sacada da embaixada equatoriana, Assange pediu aos governos, em especial o dos EUA, para parar a perseguição a denunciantes políticos. “Estou aqui hoje porque eu não posso estar aí com vocês, mas obrigado pela determinação e generosidade de espírito de vocês”, disse Assange aos simpatizantes do WikiLeaks, durante a fala de 10 minutos dirigida a eles e, em especial, ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

“Peço que Barack Obama renuncie a essa caça às bruxas de investigar e processar o WikiLeaks”, afirmou Assange, defendendo o seu site por “lançar luz sobre os segredos dos poderosos”. Pediu também a libertação de Bradley Manning, o soldado americano que está preso e aguarda julgamento, sob acusação de ter passado segredos militares americanos ao WikiLeaks.

“Enquanto o Wikileaks estiver sob ameaça, a liberdade de expressão e a saúde de todas as nossas sociedades também estarão”, disse o fundador do site, vestindo gravata marrom e camisa azul.

Na última quinta-feira, 17/8, Assange teve seu pedido seu pedido de asilo político do Equador aceito, mas a Grã-Bretanha não lhe deu um salvo-conduto para que pudesse viajar ao país latino-americano. Sendo assim, Assange está isolado na embaixada equatoriana, correndo o risco de ser preso pela polícia britânica caso deixe a representação diplomática.

Na quarta-feira o Ministério das Relações Exteriores britânico enviou um comunicado ao governo do Equador dizendo que a Grã-Bretanha estava “determinada” em cumprir sua obrigação de extraditar Assange à Suécia e que, de acordo com uma lei nacional, poderia “revogar a imunidade diplomática” da embaixada e prender o australiano no interior do prédio.

Protocolos internacionais estabelecem que territórios diplomáticos não podem ser violados pela polícia, a não ser que com a permissão do chefe da missão diplomática em questão.

Analistas afirmam que, se a Grã-Bretanha de fato violar a integridade da embaixada equatoriana, pode ser alvo de duras críticas internas e da comunidade internacional.

“Ouvi policiais (na embaixada), mas sabia que tinha testemunhas, que o mundo estaria assistindo”, disse o fundador do WikiLeaks aos simpatizantes que o ouviam, em referência à possibilidade de a polícia britânica entrar na embaixada para prendê-lo.

Assange também agradeceu o Equador e citou nominalmente os países da OEA (Organização dos Estados Americanos), Brasil incluído, pedindo que eles “defendam o direito ao asilo” – isso porque a OEA realizará uma reunião, na próxima sexta-feira em Washington, para discutir o caso.

Horas antes do discurso, segundo a BBC, Baltasar Garzón, advogado de Assange, havia dito que seu cliente está “disposto a responder pelas acusações” que enfrenta na Suécia, mas quer “garantias” de que não será extraditado. Garzón também afirmou que o criador do WikiLeaks está “com espírito combativo” e “agradecido” ao povo equatoriano.